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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Roupas de mármore e bronze sob medida...

Estátua de Dom Pedro II em Sergipe - Obra de Leo Santana, 2006

Para a história da elegância clássica masculina, estátuas são, em minha opinião, um material fascinante, pois a maior parte do bronze ou do mármore que se vê dão forma não tanto à pessoa figurada, mas à roupa que ela veste. É como se, para o escultor, a obra se transformasse em uma peça de alfaiataria. Mas isso exige, evidentemente, atenção às formas e proporções específicas de cada tipo de vestimenta.

carreira vertical de botões ausente

Em uma estátua de Dom Pedro II em Sergipe há uma falha que certamente não teria escapado aos olhos dos contemporâneos do último imperador. A estátua deveria ser reconduzida ao ateliê do escultor como quem devolve um paletó defeituoso ao seu alfaiate. Ela mostra Dom Pedro II com um colete tipo "jaquetão”, que deveria, portanto, ter duas carreiras verticais de botões. Contudo, vê-se apenas uma das carreiras de botões na obra. Para que a outra carreira de botões estivesse oculta sob a casaca, o colete teria de ter outras proporções.

Colete com duas carreiras de botões

Goethe e Schiller (à direita) em Berlim

Detalhe do colete tipo jaquetão de Schiller
As imagens acima - a de um busto desconhecido, e a da estátua de Goethe e Schiller em Berlim - ilustram bem o que quero dizer: repare que tanto no busto quanto na estátua de Schiller (à direita) vê-se um colete tipo jaquetão, com as duas carreiras de botões bem visíveis, diferentemente do que ocorre com a estátua do pobre do Dom Pedro II.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Dom Pedro II e a Elegância da Época Vitoriana


Livro de Marcelo de Araujo

Resultado de uma pesquisa muito bem cuidada, este livro de Marcelo de Araujo reconstrói a vida do último imperador do Brasil a partir da perspectiva das roupas que ele costumava vestir. O livro apresenta uma generosa seleção de fotos e ilustrações e conta ainda com o exame de documentos até então inéditos na historiografia sobre Dom Pedro. O resumo do livro disponível no site da Editora Estação das Letras diz o seguinte:

"Dom Pedro II, como notaram vários contemporâneos do último imperador do Brasil, não era especialmente elegante. Mas ele, como nenhum outro expoente da política brasileira, soube exprimir suas convicções políticas e morais através das roupas que vestia. Casacas, sobrecasacas, cartolas e guarda-chuvas foram recorrentemente usados pelo imperador com o intuito demonstrar sua simpatia pelo regime republicano. Até mesmo a deliberada utilização de gravatas que entravam em conflito com o dress code da aristocracia europeia era um dos artifícios a que o imperador costumava recorrer com o fito de exprimir sua aversão à pompa da monarquia. Este livro procura reconstruir alguns aspectos da biografia de Dom Pedro II à luz da história da indumentária masculina no contexto do século XIX. Servindo-se de uma rica seleção de fotos e ilustrações, e recorrendo a documentos inéditos, que incluem, por exemplo, uma listagem detalhada das encomendas do imperador na mais renomada casa de alfaiataria inglesa do século XIX, o autor analisa o poder simbólico que as roupas exerciam na constituição da imagem de um dos mais singulares monarcas do período vitoriano."