terça-feira, 12 de julho de 2011

Paletó parcialmente forrado



 Já mencionei em outras postagens que o paletó de linho sem forro é uma alternativa inteligente nos dias mais quentes do ano. Mas não é só o paletó de linho que pode ser confeccionado sem forro; praticamente qualquer um pode. A ausência de mais uma camada de tecido torna o paletó, literalmente, mais leve. Porém, mas importante do que o peso do paletó é a sua capacidade de promover a circulação de ar, e é por isso que a ausência do forro o torna mais confortável nos dias mais quentes do ano. Tecidos mais leves não são necessáriamente mais confortáveis no verão!

Contudo, é importante ter também em mente que o forro não precisa ser visto como uma espécie de tudo ou nada em seu paletó, pois é possível ter o paletó confeccionado com apenas uma parte do forro. O paletó, assim, pode ter um oitavo, um quarto, ou até mesmo a metade do forro convencional, como se vê na ilustração acima.
- A escolha dependerá da sua imaginação, e da habilidade de seu alfaiate.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Terno de Linho (III)

De férias ou a trabalho nas Bahamas

O Duque de Windsor costumava usar esse terno de linho quando foi Governador das Bahamas, na década de quarenta. Trata-se, como se pode ver, de um modelo tipo "jaquetão", com duas carreiras de dois botões. Jaquetões, em ternos de lã, costumam ter três botões em cada carreira de botão, mas em versões mais informais é frequente a utilização de dois botões apenas.

O exemplar da foto acima foi recentemente leiloado nos EUA. Contudo, leitores atentos devem ter reparado uma espécie de anomalia: o paletó segue um padrão de abotoamento feminino, pois a parte direita se sobrepõe à esquerda. A foto certamente não está invertida, pois o bolso superior está onde deveria estar, ou seja: do lado esquerdo de quem veste a roupa. O que deve ter ocorrido aqui é que o paletó foi colocado em uma armação, e abotoado para ser fotografado em seguida. A pessoa que o abotou, certamente destra, deve ter inconscientemente usado a mão direita para segurar o botão, e a esquerda para segurar o lado do caseado, por onde passa o botão. É essa inclusive uma das razões para que o padrão de abotoamento feminino seja diferente do masculino, pois em priscas eras cabia à dama de companhia, geralmente destra, abotoar as roupas de sua patroa.


- Em outras postagens, escrevi mais sobre a história do abotoamento de paletós masculinos.

domingo, 10 de julho de 2011

Terno de Linho (II)

O paletó de de linho é frequentemente feito sem forro, o que o torna ainda mais propício para ser utilizado durante o verão; mas, por outro lado, sem o forro ele fica também mais vulnerável às rugas. O terno de linho, a despeito de sua informalidade, e diferentemente do terno da foto acima, também pode ter a forma de um "jaquetão", com duas carreiras de botões. Repare ainda que os bolsos do paletó de linho são quase sempre sobrepostos, ainda que isso não seja uma regra muito rígida. Isso significa que os bolsos não são internos e não têm uma aba de tecido para fechá-los.

domingo, 3 de julho de 2011

Oswald de Andrade: Terno de Linho

Oswald Andrade
A visão de um terno de linho, nas últimas décadas, foi se tornando cada vez mais rara. Isso é realmente uma pena, pois o linho é bem mais adequado ao nosso clima do que as abomináveis fibras sintéticas que povoam boa parte dos ternos que circulam em nosso país. Até mais ou menos a década de cinquenta, do homem comum ao presidente, do general de folga ao intelectual, como Oswald de Andrade na foto acima, todos tinham pelo menos um terno de linho no armário.


idem por (c) Leonardo / Jornal Estado de São Paulo

Acresce ainda que o linho, diferentemente do algodão ou da lã, tem uma ascendência tão longa quanto nobre, pois o linho era o tecido dos sacerdotes egípcios, e compunha também parte da indumentária dos imperadores romanos. O linho, de fato, amassa rapidamente, mas é preciso apreciar suas rugas, não como marcas da negligência, mas como resultado da elegância despreocupada de quem tem sobre os ombros mais de dois mil anos de tradição.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Golas e barbatanas (II)

Referi-me ontem à importância das barbatanas removíveis em camisas de qualidade. As barbatanas podem ser de plástico, metal, ou mesmo madrepérola. Mas é importante mencionar ainda que o formato da barbatana varia conforme o tipo e dimensões da gola. Se as barbatanas forem muito curtas, torna-se difícil removê-las antes da lavagem da camisa; muito longas, é impossível dobrar a gola sem que se forme um desconfortável e deselegante volume em torno do pescoço. A tabela acima pode ajudar na escolha do tipo adequado de barbatana para cada tipo e tamanho de gola.

sábado, 14 de maio de 2011

Golas e barbatanas

Barbatana da marca Paul Hewitt

Não é preciso haver nada de especialmente visível na elegância clássica masculina. Pelo contrário, a elegância às vezes se esconde discretamente sob a gola da camisa. As denominadas "barbatanas", que conferem rigidez à gola, devem ser removíveis, pois do contrário elas tendem a se deformar com o tempo, após terem sido expostas aos rigores da máquina de lavar.


As barbatanas podem ser das mais simples, como as de plástico; ou de metal, como as da marca da Paul Hewitt, que se deixam moldar após terem sido inseridas no lugar, conferindo às extremidades da gola um formato mais arqueado. As barbatanas, para os puristas, podem ser até mesmo de madrepérola, coordenando com os botões da camisa.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O Discurso do Rei... no Rio de Janeiro

Jornal do Brasil / 24 de março de 1931

Por influência do filme O Discurso do Rei, muito se tem falado sobre George VI, rei da Inglaterra durante a Segunda Guerra mundial. Um fato talvez menos lembrado seja sua visita ao Rio de Janeiro, em março de 1931 - há exatos oitenta anos. Na época da visita, o centro das atenções não era tanto o próprio George, mas o seu irmão mais velho, futuro rei Edward VIII, no lado direito da foto do Jornal do Brasil acima. O reinado de Edward VIII, como se sabe, foi bastante curto, tendo durando menos de um anos, pois ele abdicou o trono em dezembro de 1936, antes mesmo da coroação, deixando para George VI uma nação às vésperas do pior conflito armado de todos os tempos. Foi após a abdicação que Edward VIII passou a usar o título de "Duke of Windsor".

O duque, ainda hoje, é lembrado como um dos grandes ícones da elegância clássica masculina.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"La Americana"

Esquire n. 10 / 2008 (edição em espanhol)

Já escrevi aqui algumas vezes sobre o seersucker, ou paletó de anarruga. Trata-se de uma excelente opção para os dias mais quentes do ano. Folheando um número de 2008 da revista Esquire, dei-me conta de que o paletó de anarruga parece se chamar "La Americana" em espanhol. Nada mais natural do que um nome como esse, pois o seersucker é um clássico do guarda-roupa masculino americano. Ele teve sua origem no clima quente e úmido de algumas regiões do sul dos Estados Unidos. É uma pena que, com condições climáticas como as nossas, "La Americana" seja ainda virtualmente ignorada no Brasil.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um chato de galochas (III)

Galochas da marca Maria Pumar
Já vai algum tempo escrevi sobre galochas. Em meio a chuva e tempestades, um par de galochas pode muito bem lhe salvar os sapatos. Alguns leitores me perguntaram onde poderiam adquirir galochas no Brasil, já que entre nós elas parecem ainda existir apenas na expressão que dá título à postagem de hoje. Folheando o jornal do último sábado, me dei conta de que há, sim, um fabricante que promete até o fim do mês disponibilizar o produto no mercado nacional.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Machado de Assis: "Gostava de ver-se bem..."

Revista Esquire

"Gostava de ver-se bem, não só para retificar uma coisa ou outra, mas para contemplar a própria figura. Afinal começou a vestir-se, e não foi pequeno trabalho, porque era meticuloso em escolher meias. Mal tirava umas, preferia outras; e já estas lhe não serviam, ia a outras, tornava às primeiras, comparava-as, deixava-as, trocava-as; afinal, escolheu um par cor de canela, e calçou-as; continuou a vestir-se. Tirou camisa, meteu-lhe os botões e enfiou-a; fechou bem o colarinho e o peito, e só então foi à escolha das gravatas, tarefa mais demorada que a das meias."
(...)
"Foi às gravatas e escolheu uma, depois de pegar, deixar, tornar a pegar e a deixar umas dez ou onze. Adotou uma de seda, cor das meias, e deu o laço. Reviu-se então longamente no espelho, e foi às botas, que eram de verniz e novas. Já lhes tinha passado um pano; era só calçá-las. Antes de as calçar, viu no chão, atirada por baixo da porta, a Gazeta de Notícias."
(...)
"Acabou de vestir-se, escovou o chapéu com toda a paciência e cuidado, pô-lo na cabeça diante do espelho, e saiu. No fim do corredor, reparou que levava a Gazeta, para lê-la ao almoço, mas jáestava lida. Voltou, deitou a folha por baixo da porta do quarto e saiu à rua."

Machado de Assis: O Caso Barreto (1892)