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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Terno de Linho (IV)

Vargas e Roosevelt em quadro de R. Neilson / Museu da República, Rio de Janeiro


Seria talvez possível reescrever a história do pensamento político a partir das roupas e uniformes dos homens que governaram Estados, fizeram guerras, amargaram de modo trágico derrotas pessoais, ou festejaram entusiasmadamente a glória da vitória. A linguagem das roupas sempre se mostrou uma poderosa aliada tanto de ditadores quanto de democratas, seja para exprimir o peso da autoridade, ou para sugerir a informalidade de quem pretende ser visto como um autêntico homem do povo.

Isso não foi diferente durante a Segunda Guerra Mundial, quando o nordeste brasileiro serviu de quintal para tropas americanas. Uma tela de Raymond Neilson retrata os presidentes Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt inspecionando uma base aérea americana, instalada em Natal. À exceção do motorista, cabisbaixo em primeiro plano, os demais, tanto civis quanto militares, se vestem de branco, como se fossem verdadeiros missionários paz. Vargas e Roosevelt, além disso, parecem inteiramente adaptados, em seus ternos de linho e chapéus tipo Panamá, ao calor da região.

- Qualquer que tenha sido o legado político de Vargas e Roosevelt, há pelo menos que se reconhecer a elegância despretensiosa desses dois líderes políticos.

sábado, 2 de outubro de 2010

Machado de Assis e a Metafísica do Charuto

Getúlio Vargas


"Depois da invenção do fumo não há solidão possível. É a melhor companhia deste mundo. Demais, o charuto é um verdadeiro Memento homo: convertendo-se pouco a pouco em cinzas, vai lembrando ao homem o fim real e infalível de todas as coisas: é o aviso filosófico, é a sentença fúnebre que nos acompanha em toda a parte. Já é um grande progresso... Mas estou eu a aborrecer com uma dissertação tão pesada. Hão de desculpar... que foi descuido. Ora, a falar a verdade, eu já vou desconfiando; Vossa Excelência olha com olhos tão singulares..." (Machado de Assis)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Abotoamento de paletós masculinos (I)

A reviravolta de Getúlio Vargas

Um detalhe interessante da foto em preto e branco da postagem anterior é que ela está invertida, como se vista por um espelho. A posição correta da foto de Getúlio Vargas deveria ser como ela aparece acima.

Muitas fotos antigas foram ampliadas ou publicadas em modo invertido por engano. Quando uma foto apresenta, por exemplo, o letreiro de uma loja, é fácil perceber imediatamente se ela está ou não invertida. Uma outra maneira de se reconhecer se está "espelhada" é olhar para a posição do abotoamento dos paletós masculinos. Invariavelmente, a parte frontal esquerda de um paletó ou sobretudo masculinos se abotoa sobre a parte frontal direita. Essa ainda é uma das marcas distintivas da diferença entre uma camisa masculina e uma feminina. Mas na foto da postagem anterior tem-se a impressão de que Getúlio Vargas estaria usando uma roupa feminina, ou que teria se enganado ao abotoar seu jaquetão, o que é bem pouco provável. Além disso, ao examinar fotos antigas, convém lembrar que o bolso superior do paletó é sempre colocado do lado esquerdo. Quando a foto está invertida, ele aparece do lado direito de quem veste o paletó.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Getúlio Vargas: Sapato bicolor e chapéu de palha

Getúlio Vargas

Repare que
Getúlio Vargas, o homem no centro da foto na postagem anterior, está calçando um sapato tipo spectator ou correspondent, sobre o qual falei em uma outra postagem. Digno de nota é também seu chapéu de palha, mais conhecido em português como palheta. O palheta é um clássico entre os chapéus para o verão. Mais rígido do que o chapéu Panamá, o palheta é um tradicional acessório dos gondoliers que cruzam os canais de Veneza. Ele é muito popular também entre açogueiros mais tradicionais da Inglaterra e da Alemanha. Em inglês ele se chama boater e, em francês, esse simpático chapéu de palha é conhecido como "matelot" ou "canotier".


Santos Dumont 1900 / foto de Pirou


Jô Soares pronto para competição de remo


O palheta faz também parte do traje recomendado para os espectadores da tradicional regata de Henley, que ocorre todos os anos no início de julho, ao longo do Tâmisa na Inglaterra. Parte do charme do palheta é a sua indiferença a distinções de classe - do açogueiro ao aristocrata, do marinheiro ao presidente, do aviador ao apresentador de televisão, muitos homens aderiram ao ar de elegância casual evocado por esse simpático chapéu de palha.