domingo, 3 de outubro de 2010

Gravatas Regimentais: Qual é o seu clube?

Professor da Universidade de Oxford ou da Universidade de Yale?
Num dia como este, em que todos correm às urnas para decidirem os rumos do país, esta postagem poderia enganar. Não se trata, no entanto, de campanha eleitoral. Políticos costumam usar gravatas, sobretudo em situações oficiais. Gravatas regimentais, com listras em diagonal, costumam ser uma opção criativa. Bem coordenadas e de boa qualidade, elas contribuem significativamente para a elegância de quem as utiliza.
Gravatas da Universidade de Oxford

É preciso ter em mente, porém, que gravatas regimentais tiveram sua origem em clubes e associações desportivas britânicas. Ainda hoje, diversas faculdades, regimentos militares, corporações e grêmios possuem suas próprias combinação de listras, o que permite a membros de um mesmo grupo se reconhecerem imediatamente. A Universidade de Oxford, por exemplo, possui vários modelos de gravatas para cada um de seus “colleges”. A gravata do Magdalena College é a de número vinte na ilustração acima – a segunda da direita para esquerda na penúltima fileira. Ela é bastante parecida com a gravata da renomada Universidade de Yale, nos Estados Unidos, diferindo apenas na direção das listras, descendentes da esquerda para a direita.


Gravata da Universidade de Yale

Não há nada de errado em desfilar por aí com gravatas regimentais que, a rigor, eram ou ainda são prerrogativas de um determinado clube ou associação. No entanto, diplomatas e políticos, especialmente chefes-de-Estado em missões oficiais no exterior ou em fotos oficiais de circulação internacional, deveriam evitar o constrangimento de serem reconhecidos publicamente como membros de grupos de que, de fato, não fazem parte.

sábado, 2 de outubro de 2010

Machado de Assis e a Metafísica do Charuto

Getúlio Vargas


"Depois da invenção do fumo não há solidão possível. É a melhor companhia deste mundo. Demais, o charuto é um verdadeiro Memento homo: convertendo-se pouco a pouco em cinzas, vai lembrando ao homem o fim real e infalível de todas as coisas: é o aviso filosófico, é a sentença fúnebre que nos acompanha em toda a parte. Já é um grande progresso... Mas estou eu a aborrecer com uma dissertação tão pesada. Hão de desculpar... que foi descuido. Ora, a falar a verdade, eu já vou desconfiando; Vossa Excelência olha com olhos tão singulares..." (Machado de Assis)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Machado de Assis e a Metafísica do Chapéu


“— A escolha do chapéu não é uma ação indiferente, como você pode supor; é regida por um princípio metafísico. Não cuide que quem compra um chapéu exerce uma ação voluntária e livre; a verdade é que obedece a um determinismo obscuro. A ilusão da liberdade existe arraigada nos compradores, e é mantida pelos chapeleiros que, ao verem um freguês ensaiar trinta ou quarenta chapéus, e sair sem comprar nenhum, imaginam que ele está procurando livremente uma combinação elegante. O princípio metafísico é este: — o chapéu é a integração do homem, um prolongamento da cabeça, um complemento decretado ab eterno ninguém o pode trocar sem mutilação. É uma questão profunda que ainda não ocorreu a ninguém. Os sábios têm estudado tudo desde o astro até o verme, ou, para exemplificar bibliograficamente, desde Laplace... Você nunca leu Laplace? desde Laplace e a Mecânica Celeste até Darwin e o seu curioso livro das Minhocas, e, entretanto, não se lembraram ainda de parar diante do chapéu e estudá-lo por todos os lados. Ninguém advertiu que há uma metafísica do chapéu. Talvez eu escreva uma memória a este respeito. São nove horas e três quartos; não tenho tempo de dizer mais nada; mas você reflita consigo, e verá... Quem sabe? pode ser até que nem mesmo o chapéu seja complemento do homem, mas o homem do chapéu...” (Machado de Assis).

domingo, 26 de setembro de 2010

Machado de Assis: Elegância na Belle Époque Carioca


artigo de Iesa Rodrigues publicado no JB / 18.06.1989

Esta, semana, no dia 29 de setembro, completam-se cento e dois anos da morte de Machado de Assis. O Bruxo do Cosme Velho - quase meu vizinho, aliás - morreu aos sessenta e nove anos deixando um legado repleto de referências à cultura da elegância clássica masculina. Por essa razão, e porque já se vão quase seis meses sem novas postagens por aqui, gostaria de reproduzir um pequeno ensaio de Iesa Rodrigues, publicado há já mais de vinte anos no falecido Jornal do Brasil. Achei o texto recentemente entre antigos recortes de jornais e imaginei que alguns leitores poderiam se interessar pelo texto. - Basta clicar sobre a imagem para ampliar o texto.

domingo, 28 de março de 2010

Stylus et Caetera: um ano de postagens


Este blog completa hoje um ano de vida. A idéia inicial permanece a mesma: publicar imagens e informações relacionadas à cultura da elegância clássica masculina. O blog não é restritivo e se estende à discussão de tópicos tão diversos quanto alfaiataria, conservação de calçados, estética do vestuário clássico masculino, resenhas, história de determinados acessórios, etc. Já estão planejadas também novas postagens sobre guarda-chuvas, chapéus, calças, e uma diversidade de outros temas associados ao ideal da vida elegante. Embora alguns itens do guarda-roupa clássico masculino entrem em saiam de moda periodicamente, este blog, definitivamente, não é sobre moda masculina. – Sobre tendências da estação, cores da moda, grifes famosas, desfiles e outras aberrações aqui nada se falará.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Formas para conservação dos sapatos

Sapato com forma
Recentemente, na postagem sobre galochas, referi-me à cultura do desperdício que vai tornando quase tudo descartável, inclusive sapatos masculinos. Um autêntico sapato de couro custa, de fato, mais do que um similar de couro sintético. Mas se fizermos as contas na ponta do lápis, o sapato de couro acaba saindo mais em conta, pois costuma ter uma vida útil bem mais longa. Mas para que os sapatos possam realmente proporcionar longos anos de satisfação e elegância, é preciso tomar alguns cuidados.


Um ponto importante é não usar o mesmo par de sapatos todos os dias. A umidade que se acumula no interior dos sapatos precisa de algum tempo para ser completamente devolvida para o ambiente. O acúmulo da umidade no interior dos sapatos contribui para a gradual deterioração do couro. Por isso, é importante introduzir um esquema de rodízio entre os sapatos. Sapatos de qualidade exigem também a utilização de “formas”. Elas devem ser inseridas nos sapatos assim que eles são retirados dos pés. A forma impede que o couro vá se deformando lentamente enquanto o sapato não está em uso. Evidentemente, é preciso escolher o modelo de forma que melhor se adapta ao formato dos sapatos. O ideal é ter os sapatos à mão - ou nos pés - na hora de comprar a forma, para ter certeza de que ela tem o formato e o tamanho adequados. Algumas marcas costumam oferecer, para cada modelo e tamanho de sapato, a forma correspondente.

sábado, 20 de março de 2010

Abotoamento de paletós masculinos (V)

Judeus com o tradicional "rekel"

Eu já havia dado como encerrada a série de postagens sobre abotoamento de paletós masculinos. Mas o tema é mais vasto do que se poderia supor à primeira vista. A idéia básica é que, na hora de abotoar, o lado esquerdo de um paletó masculino se sobrepõe ao lado direito. E isso vale também para sobretudos, túnicas, camisas sociais, etc. Algumas imagens apenas aparentemente sugerem uma exceção a essa regra. Isso ocorre quando elas são publicadas de modo invertido por engano, ou quando a imagem em questão é um auto-retrato. Mas há uma verdadeira exceção à regra: o Rekel - um tipo de jaquetão longo usado por ortodoxos judeus. O abotoamento do Rekel, na verdade, segue um padrão tradicionalmente considerado próprio para roupas femininas, ou seja: direito sobre esquerdo. Mas isso está inteiramente de acordo com as regras que tratam do uso de trajes masculinos na cultura judaica.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Um chato de galochas (II)


galochas da marca Tingley

Não há nada de errado em ser um chato de galochas, contanto, é claro, que você possa manter secos seus sapatos mesmo sob um forte temporal. As galochas antigas costumavam ser mais volumosas, e já vão algumas décadas elas caíram em esquecimento. Mas não devem ter sido apenas razões estéticas que contribuíram para o gradual declínio das galochas. A cultura do desperdício tornou os sapatos itens praticamente descartáveis. Por isso, poucos homens ainda têm o hábito de manter seus sapatos em bom estado por anos a fio, como se fazia antigamente, até que eles adquiram a pátina característica do couro envelhecido.



John Lobb: galochas para modelos específicos

Contudo, a utilização de materiais mais finos e flexíveis na confecção de galochas, aliada a uma gradual reação à cultura do desperdício, vêm contribuindo para o retorno desse velho item do guarda-roupa clássico masculino. Algumas marcas, inclusive, como a renomada inglesa John Lobb, possuem galochas específicas para alguns de seus modelos de sapatos mais nobres.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um chato de galochas (I)

Van Gogh / agosto de 1888

Após alguns dias de intenso calor, as águas de março, fechando agora o verão, têm causado danos por toda parte. Inclusive em alguns sapatos. Para sapatos com solado de couro a água em excesso pode ser realmente um problema. Sob hipótese alguma use um secador de cabelos, nem coloque os sapatos em locais quentes como radiadores de geladeira, ou aquecedores para secarem mais rapidamente. Esse procedimento com certeza tornará o couro quebradiço e enrugado, danificando os sapatos de modo irreversível. O ideal é retirar os cadarços e encher o sapato de jornal ou, melhor ainda, papel absorvente. O importante é que os sapatos sequem naturalmente em local arejado. Virar o sapato de lado, com a sola do sapato numa posição perpendicular ao chão, promove a circulação de ar e a remoção da umidade. Se for necessário, retire o papel e repita o procedimento até os sapatos ficarem completamente secos.


Anúncio antigo de galochas

Uma maneira de prevenir, ou pelo menos de amenizar o problema dos sapatos molhados consiste em recorrer às velhas e já esquecidas... galochas. De onde vem a expressão “um chato de galocha” não se sabe ao certo, mas ela deve ter contribuído para que as pessoas gradualmente deixassem de levar a sério esse item de qualquer guarda-roupa civilizado. As galochas antigas costumavam ser, de fato, um pouco grandes e pesadas. Mas hoje em dia é possível encontrar algumas bem mais elegantes. Retornarei ao tema na próxima postagem...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Ombros do paletó: diferentes modelos



Uma das características mais distintivas de um paletó é o formato dos ombros. Os modelos acima não são os únicos e cada casa de alfaiataria, ou cada marca de terno, acaba adotando um estilo peculiar a partir de algum desses modelos gerais. Mesmo um modelo específico como, por exemplo, o “pagoda” – uma referência a um tipo especial de construção na arquitetura japonesa – pode ser mais ou menos côncavo; o ombro alto pode conter mais ou menos enchimento, etc. Algumas medidas de um paletó podem ser alteradas. Na verdade, um paletó feito sob medida é cortado de maneira a poder acomodar pequenas alterações caso a pessoa venha a ganhar ou perder peso. Mas as medidas dos ombros não podem ser alteradas com facilidade. Por essa razão, ao optar por um paletó comprado pronto, tenha atenção especial às dimensões do ombro.